Rede ObservaRH - Observatório RH da UFRN

[...] Todo o conhecimento que possuo hoje trouxe da graduação em saúde coletiva e é nítido o quanto ele influencia no desenvolvimento do meu trabalho. Temos um olhar mais sensível enquanto egressos da área e isso é importante para desenvolver as ações. Emily Miranda

Entrevista

Emily Miranda | Núcleo de IST/HIV/Aids e Hepatites Virais da Secretaria Municipal de Saúde de Natal

Entrevista realizada com Emily Miranda que atua no Núcleo de IST/HIV/Aids e Hepatites Virais da Secretaria Municipal de Saúde de Natal. Emily tornou-se bacharel em Saúde Coletiva pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte no ano de 2012. A entrevista foi realizada por Thais Paulo Teixeira Costa, pesquisadora do Observatório de Recursos Humanos da Universidade Federal do Rio Grande do Norte.

Observatório RH: Olá, Emilly, inicialmente gostaria que você falasse um pouquinho sobre você, como chegou à graduação em Saúde Coletiva e por que escolheu essa graduação? Emily Miranda: Escolhi a graduação em Saúde Coletiva, que na época se chamava “Gestão em Sistemas e Serviços de Saúde”, em meu segundo vestibular. No primeiro vestibular, tentei ingressar no curso de Biomedicina; porém acabei ficando doente e não consegui fazer a prova do processo seletivo. No ano seguinte, a minha mãe, que é profissional da área da saúde, fez um curso de especialização pelo Núcleo de Estudos em Saúde Coletiva da Universidade Federal do Rio Grande do Norte – NESC /UFRN, nessa mesma temática, Gestão em Sistemas e Serviços de Saúde, e me apresentou o curso. Acabei achando interessante e coloquei como primeira opção no vestibular. Fui aprovada e entrei na primeira turma da graduação. Realmente foi o curso que me identifiquei bastante e, apesar das dificuldades, por ser uma turma pioneira, observei sua adaptação e melhora com as turmas seguintes.

Observatório RH: E como foi sua trajetória após terminar a graduação? Emily Miranda: Depois da formatura, tivemos a oportunidade de deixar os nossos currículos na Secretaria Municipal de Saúde de Natal, que é o local onde trabalho até hoje. Na época, o então Secretário Municipal de Saúde, Dr. Cipriano Maia de Vasconcelos, que é professor da Graduação em Saúde Coletiva na Universidade Federal do Rio Grande do Norte, ao assumir o cargo, proporcionou essa oportunidade para alunos e então egressos da graduação. Inicialmente, comecei no Departamento de Atenção Especializada, como técnica do setor de alta e média complexidade e, logo em seguida, fui ser técnica do setor de IST e AIDS. Um tempo depois, acabei assumindo a função de coordenadora. É um setor desafiador, pois possui muitas vertentes e eixos de trabalho, o que acabou me motivando. Percebo a necessidade do serviço de ter pessoas qualificadas com o perfil do nosso curso, porque observo que muitas pessoas não têm qualificação e conhecimento adequados para atuar em superintendências e serviços de saúde como nós temos.

Observatório RH: Emilly, percebemos seu desempenho e a qualidade do seu trabalho por sua permanência na Secretaria Municipal de Saúde de Natal durante todos esses anos. Você poderia detalhar um pouco mais sobre sua atuação enquanto egressa da graduação em Saúde Coletiva? Emily Miranda: Hoje sou responsável pelo programa de IST, AIDS e Hepatites virais, e, nele, consigo desenvolver muitas coisas que aprendemos na graduação. Como, por exemplo, o planejamento em saúde, o Plano Anual de Saúde, as metas que buscamos alcançar quanto programação municipal e a previsão para os gastos e análise do orçamento que vem do Ministério para o programa de IST. Ou seja, todo o conhecimento que possuo hoje trouxe da graduação em saúde coletiva e é nítido o quanto ele influencia no desenvolvimento do meu trabalho. Temos um olhar mais sensível enquanto egressos da área e isso é importante para poder desenvolver as ações e contribuir junto aos serviços.

Observatório RH: Como tem sido receber estagiários da nossa graduação? Emily Miranda: Enxergo um grande potencial. Quando recebo alguns alunos do curso, também consigo ver o quanto o curso avançou. É interessante perceber que muitos profissionais da secretaria gostam de receber os estagiários do curso de saúde coletiva. São elogiados por todo mundo e isso é algo que a gente sente falta, pois, nessas práticas de elogios, o serviço é muito carente. Só que, infelizmente, eu tenho a acreditar que ainda não temos um mercado de trabalho muito amplo. Temos clareza da necessidade, porém ainda temos a dificuldade do acesso ao mercado de trabalho. Contudo, vejo que estamos conseguindo com profissionais inseridos nos serviços, com estagiários do curso, que mostram o quanto é importante o nosso papel como sanitarista, o quanto é importante ter profissionais qualificados no serviço que realmente faz toda a diferença. Ainda temos muita luta e muito caminho para os quais precisamos de muito avanço.

Observatório RH: Emilly, a partir da sua experiência de atuação, quais são as novas possibilidades para a atuação do bacharel em saúde coletiva, tanto no nível da secretaria municipal quanto em outros serviços de saúde? Emily Miranda: Eu creio que o profissional em saúde coletiva pode ser inserido em vários tipos serviços. Temos uma bagagem muito grande, especialmente na situação na qual estamos vivendo, pois ainda há muitas fragilidades e, por isso, precisamos potencializar esse olhar para as outras áreas. Então temos muitos espaços para serem ocupados, além das secretarias municipais e estaduais de saúde. Eu acredito que essa aproximação é extremamente importante, até mesmo do próprio setor privado, que já está pensando muito nas questões da prevenção e promoção e que trabalha também com as questões da vigilância em saúde. Creio que há vários espaços nos quais podemos nos encaixar.